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TÍTULO:
A escravidão nas pinturas brasileiras de Nicolas-Antoine Taunay (1816-1821)
AUTORIA:
Bárbara Dantas
APRESENTAÇÃO:
Luiz Cláudio M. Ribeiro
PREFÁCIO:
Almerinda da Silva Lopes
 
PRÉVIA:

Ao colocar em evidência o caráter grotesco ou disforme que o pintor francês Nicolas-Antoine Taunay atribuiu aos escravos africanos inseridos em suas pinturas de vistas e paisagens, a pesquisa realizada por Bárbara Dantas traz à baila reflexões que potencializam, atualizam e tentam desvelar a complexidade que envolve o racismo e o comportamento discriminatório impregnados na ideologia sociopolítica que balizou o processo escravagista no país.   

 

A publicação em pauta, denominada A Escravidão nas pinturas brasileiras de Nicolas-Antoine Taunay (1816-1821), de autoria da Profa. Dra. Bárbara Dantas, diferencia-se das pesquisas precedentes, apresentando novos desdobramentos, no que tange à reflexão sobre a obra do pintor, mais especificamente as figuras de homens e mulheres pretos, muito frequentes nas pinturas de paisagens e vistas executadas pelo artista no Rio de Janeiro, no período citado. Curiosamente, essas figuras da etnia negra convivem no mesmo suporte da tela com personagens da elite, o que possibilitou à autora aventar a hipótese de tratar-se de escravos domésticos ou de ganho. Dantas levantou e selecionou, ainda, obras produzidas anteriormente pelo artista na Europa, com o objetivo de estabelecer conexões, comparar e formalizar novos diálogo, que enriquecem a interpretação e ampliam a compreensão da poética do artista.

 

 Esta publicação é resultante de minuciosa pesquisa realizada pela autora para sua tese de doutorado, que passou por algumas modificações para melhor adequar a linguagem acadêmica à finalidade da publicação em forma de livro, que possibilitará que um público mais amplo e diversificado tenha acesso a este importante estudo. O foco da investigação e da reflexão é a produção pictórica de paisagens e vistas, elaboradas durante os cinco anos em que Taunay viveu e atuou no Rio de Janeiro, período esse que se estende de seu desembarque na então capital brasileira, em 1816, até seu retorno a Paris. 

 

A pesquisadora percebe que o processo discriminatório que perpassa a representação dos escravos é de tal complexidade que seria necessário lançar sobre tal problemática um olhar interdisciplinar. Assim, buscou na especificidade das diferentes disciplinas elementos que lhe permitiram compreender e interpretar as obras e, até o comportamento individual do artista francês, ao representar, em meio às figuras da elite, também representações de negros. Fato curioso e enigmático, é que, como supracitado, o pintor representou as primeiras com grande preciosismo de detalhes anatômicos, bem como nos trajes e adereços, enquanto as figuras de escravos negros são mais esquematizadas e possuem os rostos borrados, o que impede a identificação de seu fenótipo fisionômico. A observação atenta e a frequência com que essas figuras aparecem representadas nas telas do artista instigaram e desafiaram a autora a debruçar-se no levantamento e leitura de vasta bibliografia.

 

Embora Dantas procure responder a algumas questões por ela própria levantadas, sobre as razões que teriam levado o francês a tratar os escravos com as referidas características, ou seja, sem uma configuração humana precisa, eu proponho ao leitor adentrar o bem fundamentado universo histórico e artístico construído pela autora no texto para compreender tanto as possibilidades que ela propõe, como para que o próprio interlocutor das imagens desvele e apresente outras ideias e conclusões, contribuindo assim para atualizar e ressignificar essa imagética construída no passado com sua experiência e vivência do presente. 

 

ALMERINDA LOPES/2024

A escravidão nas pinturas brasileiras de Nicolas-Antoine Taunay (1816-1821)

SKU: BALEDT0000017
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  • TÍTULO:
    A escravidão nas pinturas brasileiras de Nicolas-Antoine Taunay (1816-1821)
    AUTORIA:
    Bárbara Dantas
    APRESENTAÇÃO:
    Luiz Cláudio M. Ribeiro
    PREFÁCIO:
    Almerinda da Silva Lopes
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